Parlamentares saem em defesa de ministro do STF e questionam possível retaliação; governistas concentram críticas em relações do banco com aliados de Bolsonaro
O pedido do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por providências contra o colega de Corte André Mendonça provocou reação de parlamentares nesta quinta-feira (3) e elevou a tensão em torno do caso Banco Master.
Integrantes da oposição saíram em defesa de Mendonça e fizeram críticas à atuação de Moraes. Entre os que se manifestaram estão os senadores Rogério Marinho (PL), Eduardo Girão (Novo) e Carlos Viana (PSD) e o deputado Sóstenes Cavalcante (PL).
A reação ocorre após Mendonça, relator do caso Banco Master, determinar na terça-feira (1º) o levantamento do sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne 51 mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. O conteúdo havia sido revelado pelo Estadão.
Segundo o texto, Moraes utilizou o Inquérito das Fake News para apontar contra Mendonça suspeitas de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.
Oposição questiona atuação de Moraes
Rogério Marinho afirmou que Moraes estaria transformando o Inquérito 4.781 em um “instrumento de poder pessoal”. O senador também acusou o ministro de utilizar o procedimento como forma de intimidação contra quem conduz a investigação sobre o Banco Master.
Sóstenes Cavalcante declarou apoio a Mendonça e afirmou haver uma tentativa de enfraquecer a investigação sobre o banco. Segundo o deputado, “tem muita gente poderosa envolvida” no caso.
Eduardo Girão classificou a iniciativa de Moraes como o “grau máximo de falta de noção da realidade”.
Carlos Viana afirmou ter acionado o presidente do STF, Edson Fachin, para pedir a preservação de documentos, registros de acesso e comunicações que possam ajudar a esclarecer a conduta de Moraes.
O senador questionou se a iniciativa poderia representar uma reação ao trabalho de Mendonça no caso Banco Master. Para Viana, se houver utilização do cargo para constranger ou retaliar outro ministro pelo exercício de suas funções, a situação seria “gravíssima”.
Governistas miram Bolsonaro e aliados
Entre parlamentares governistas, as manifestações se concentraram nas relações do Banco Master com integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As publicações não fizeram referência direta ao pedido de Moraes contra Mendonça.
O deputado Rogério Correia relacionou o banco ao governo Bolsonaro e afirmou que a instituição foi autorizada a funcionar durante aquela gestão. Também destacou que, já no governo Lula, o banco foi liquidado e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso.
A deputada Gleisi Hoffmann também comentou o caso e citou informações sobre Vorcaro e recursos destinados às campanhas de Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em 2022.
Gleisi questionou se os valores mencionados poderiam ter relação com propina e afirmou que o caso levantaria suspeitas sobre uma possível tentativa de interferência nas eleições presidenciais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também gravou nesta quinta-feira um vídeo sobre a crise envolvendo o Supremo após a divulgação das mensagens entre Moraes e Vorcaro.
O episódio ocorre em meio à crescente repercussão política do caso Banco Master, que passou a envolver, além das investigações sobre a instituição financeira, integrantes do STF e diferentes grupos políticos.



























