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Feriado de Tiradentes: Historiadores afirmam que Grupo de Tiradentes tentou apoio dos EUA em plano de independência do Brasil

Um encontro secreto realizado em 21 de março de 1787, na cidade de Nîmes, no sul da França, revela uma tentativa de articulação internacional ligada à Inconfidência Mineira. Na ocasião, o então embaixador norte-americano Thomas...

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Barueri 360

Um encontro secreto realizado em 21 de março de 1787, na cidade de Nîmes, no sul da França, revela uma tentativa de articulação internacional ligada à Inconfidência Mineira. Na ocasião, o então embaixador norte-americano Thomas Jefferson se reuniu com o estudante brasileiro de Medicina José Joaquim Maia e Barbalho, que utilizava o pseudônimo Vendek.

Sob o pretexto de uma visita turística às ruínas romanas da cidade, os dois discutiram a possibilidade de apoio dos Estados Unidos a um movimento de independência do Brasil, então colônia de Portugal.

O contato foi resultado de uma troca de cartas iniciada meses antes. Inspirado pela recente independência norte-americana, Vendek buscava apoio político e material para libertar os domínios portugueses no Novo Mundo.

O episódio é considerado um dos registros mais concretos da influência dos Estados Unidos sobre a Inconfidência Mineira. Pesquisas recentes do historiador André Figueiredo Rodrigues, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), trouxeram novos documentos sobre a articulação.

Segundo especialistas, a Revolução Americana de 1776 exerceu forte influência sobre a elite intelectual brasileira da época. Inconfidentes mineiros tiveram acesso a obras iluministas e a informações sobre movimentos revolucionários, compartilhando referências ideológicas com os norte-americanos.

Apesar da aproximação, não houve apoio efetivo dos Estados Unidos. Em relatório enviado ao secretário de Relações Exteriores, John Jay, Jefferson afirmou que seu país não tinha condições de se envolver em conflitos externos naquele momento, priorizando a consolidação da própria independência e a manutenção de relações comerciais com a Europa, incluindo Portugal.

Ainda assim, o diplomata reconheceu que uma eventual independência brasileira poderia interessar aos norte-americanos.

Documentos indicam que os inconfidentes pretendiam unir capitanias como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia e interromper o envio de tributos à Coroa portuguesa, estratégia que poderia enfraquecer a reação de Portugal.

A tentativa de apoio internacional não se limitou a Vendek. Comerciantes e integrantes do movimento também buscavam alternativas para romper o monopólio comercial português e abrir os portos brasileiros a outras nações.

Mesmo sem apoio externo, historiadores destacam que o modelo norte-americano foi decisivo na formação do pensamento político dos inconfidentes. Tiradentes, por exemplo, teve acesso a obras sobre a independência dos Estados Unidos, utilizadas para difundir ideias republicanas.

Para especialistas, a Inconfidência Mineira figura entre os primeiros movimentos anticoloniais das Américas influenciados diretamente pelo exemplo dos Estados Unidos, ainda que sem participação prática do país no processo.

Fonte: Terra/BBC/Unesp.

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